
terça-feira, 27 de abril de 2010
Ele vive, como um parasita.

Estamos submergindo em nossos próprios pensamentos, abstração e amargura. O ar sai de nossos pulmões e já é tarde para recuperar o fôlego. O negrume nos aguarda impaciente no fundo do lago de nossas memórias.
A água é fria, congelante e dolorosa, como agulhas fincadas contra a pele rígida, trespassando os ossos trêmulos. Não existe ar ou respiração, e o elixir da vida foge pelos lábios sem vida, sem cor.
Nossos corpos queimam, apesar do frio avassalador. As gargantas clamam em desespero, secas e áridas. Não há meios de gritar ou se debater, e cada movimento relutante para cima é mais alguns metros em direção ao fundo.
Quando vemos, não estamos mais afundando, não existe água ao redor. Não possuímos tato, olfato ou qualquer outro sentido. Flutuamos no meio do nada, no meio de nós. Deixamos aquilo que nos prende, que nos corrói. Já não fazemos parte do dia, da noite ou do mundo. Nem mesmo no outro mundo. Não estamos mais em lugar algum, então seguimos, juntos, onde quer que estejamos, pois nós somos um e nunca seremos dois, separados ou inclusos. Somos um, os dois em mim e nenhum em você.
A escuridão continua ao redor, presente e impaciente. Dói e machuca. Já era de se esperar do lago de nossas memórias. Minhas. Presas à mim. Nascidas de mim. Para sempre ao meu lado, ao meu canto, meu espanto. Meu eu, minhas lastimas. Tudo é meu, tudo será meu. Mas eu não consigo e o que sobra é isso. Escuridão, paixão, tremor, saudade.
E eu corro sozinha ou acompanhada, independente de quem seguir este mesmo caminho.
Marcadores: Intrínseco
♥ Obrigada por ler.
13:22

sábado, 10 de abril de 2010
Sombras vagas em torno da mente.

Todas as memórias se mesclam. A mais dolosas principalmente, pois formam piores: pesadelos que transformam a realidade dos pensamentos do presente, formando outras memórias. Inatingíveis, mãos tão presentes. Reais, pois elas existem, mas não se pode tê-las, tocá-las ou quebrá-las.
Quando está acostumado com sua presença, realiza que não existem simplesmente. Possuem um motivo para tomar conta de todos os mínimos espaços da mente. Existem porque existem. Porque são como traumas e punições. Para elas não importa o que você foi ou que o você é, e sim o que você fez para merecê-las.
Às vezes você nada fez. É inocente e ela surgem com os acontecimentos desastrosos, aterrorizantes, as verdades descritas na cara, estampadas com vigor, que matam seu espírito. Viram lembranças presentes. Tão presentes e ausentes. Que se pregam nas paredes da razão onde, desesperadamente você tenta livrar.
Mas apesar de dolosas, realista, inatingíveis e totalmente racionais, conseguem lhe mostrar o fim do túnel. Por isso são inimigos tão fortes, pois lhe mostram a tristeza da obscuridade e lhe concedem o gostinho da liberdade, que você, depois de tanto tempo, esqueceu-se de como é e tem medo da luz ou apenas já desistiu de buscá-la.
Continua a se erguer por entre as barreiras de sua própria memória. Pense em como isso pode reforçá-lo e levantá-lo diante de si próprio. Elas te matam com o tempo, te desgastam e destroem, mas com elas você aprende a acertar, vê seus erros e os transformar para melhor. Mas eu gostaria mesmo que você tivesse transformado seus erros em acertos mais rapidamente, antes de tudo. Nem tudo é como queremos.
Você extraiu as lembranças como eu estou tentando fazer até hoje, mas parece que era algo tão banal que as retirou tão rapidamente, tão sem compaixão, como minhas lágrima que caíram depois daquele dia. Você não pode ter tudo e não vive sem nada. Você precisa de atenção, mas com esse gênio ninguém se habilita. Com esse carinho excessivo, temperamento forte, esse amor tão grande e amplo, esse ciúme irracional, o jeito humilde e o sorriso tão lindo e tão pouco visto. A ânsia, medo e falta de coragem. Ninguém consegue aguentar por muito tempo por melhor que fosse. Você ama, mas não cuida.
Tente mudar. Não por mim, pois eu já não existo dentro de você, eu já não quero você dentro de mim. Mude por você, veja seus erros e os transforme para serem sabedoria. Eu sei que você é bom, eu sei quem você é ou pelo menos sabia. Eu tento me lembrar apenas dos momentos felizes, que para minha alegria, foram muitos. Mas as mesmas lembranças que vagam ao meu redor me completam e me destroem. É como uma droga inalada constantemente. Dói, mas na hora é prazeroso, na hora tudo se torna fantasia, nos libertamos das algemas e deixamos que as memórias nos invadam completamente, mas quando acaba é como o fim. Doloroso e cruel. Então queremos cada vez mais e mais.
Não quero isso para você apesar de tudo. Se duvidardes de mim, está errado. Mais um erro. Fui forte e serei forte, mas será que ainda da tempo da razão invadir seu coração? Mudar de fora para dentro já não é solução.
♥ Obrigada por ler.
06:08