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It's Suddenly Love
for me and you.

Egocentrismo

Gabriela. 16 anos. K-popper. Ficwritten. Desenhar, cantar no tomar banho, ir a eventos, escutar música alta. Livros, romance, drama, terror. Tímida, impaciente, simpatizante, sensível, alegre, sonhadora. Super Junior. SHINee. Big Bang. Japão. Coréia. Donghae <3 Muito prazer. ❤


Playlist

"Ainda que eu não possa ter você, no final, meu coração está bloqueado pela
parede do triste destino.
Eu te amo, mesmo que seja deste
lugar onde só eu possa te ver.
Porque você é meu tudo."




Get strong by day, oh
So when the night falls down
You can shine yellow!

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You surrounded me with your endless love

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Are you sure you want to turn back the time and read about my past?

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quinta-feira, 17 de junho de 2010

O amor é cego

A fumaça cinza do ônibus cortava o céu azul. Suas rodas queimavam no asfalto quente e chiavam a cada curva fechada. Já havia percorrido vários quilômetros, viajando por muitos lugares e traçado diversos caminhos. A lataria desgastada ficava ainda mais amarelada no sol quente de meio dia.

O vento batia nos cabelos cacheados e ruivos, fazendo-os entrarem em chamas. Uma garota debruçava seu corpo magro e forte no parapeito da pequena janela do ônibus, colocando com um pouco de dificuldade sua cabeça para fora. Sentia todo o frescor da manha. Seus joelhos estavam no banco almofadado e seus cotovelos no descanso dos braços. Nem ao menos abria os olhos para ver a maravilhosa paisagem dos grandes pastos verdes e amontanhados. Com as árvores formando sombras no solo, os cavalos correndo livremente e um gado de alimentando nos arredores das cercas. Queria sentir a brisa, aproveitar o sol e absorver alegria com mais intensidade.

Depois de um tempo o ônibus parou e ela finalmente abriu os olhos e mostrou ao mundo aquelas esmeraldas brilhantes. Aspirou o ar daquele lugar de suas lembranças, de suas memórias, seu ponto de partida. Desceu do ônibus segurando sua mala, roçou os pés na áspera areia vermelha e seguiu em frente naquele lugar tão nostálgico.

Estava andando pela cidadezinha em que nasceu e viveu sua infância. Onde passou belíssimos dias andando a cavalo, nadando no lago, brincando na rua e se divertindo com as outras crianças. A cada passo dado ela se lembrava de algum momento inesquecível. Cada ano de sua vida lá fora maravilhoso, até que o destino a mandou para longe, tirando-a toda a inocência do interior e levando-a para a loucura das cidades grandes.

Ela se tornou mais arredia, desconfiada, melindrosa. Se tornou ambiciosa nesse seu novo mundo vicioso.Vivia nos tempos corridos, nos dias contados, nas horas extras e nos quinze minutos de almoço. Correndo contra os ponteiros do relógio, enquanto atravessava às avessas as ruas movimentadas. Com um copo de café equilibrado em uma mão e uma pilha de documentos na outra. Não sabia o que era descansar realmente ou dormir por mais de seis horas. As paredes cinzas e pixadas da cidade haviam emparedado seu coração.

Mas ali, naquela cidade repleta de reminiscências, ela se transformava na mesma garota de dois anos atrás. Com o mesmo ar de inocência e ingenuanidade. A esperança estampada no rosto corado e as trançinhas no cabelo. Essa era quem ela costumava ser.

Seus olhos percorriam as ruas movimentadas. Era sábado e todos estavam nas calçadas mostrando suas melhores roupas. Ela queria encontrar alguém em especial. Uma parte de seu passado. Uma parte de si que havia deixado para traz sem se dar conta. Queria encontrar dois olhos castanhos como chocolate, um cabelo preto bagunçado pelo vento, a pele que ficava cheia de sardas no sol. Desejava rever aquele por quem entregou seus sentimentos, que lhe proporcionou os melhores momentos de sua vida. Felipe.

Estava tão pedida em seu passado que andava sem direção por aquela calçada fervente. Deixava seus pés a guiarem para onde quisessem. Não tinha pressa de nada mais. Trombou em um homem, fazendo-a voltar para a realidade. Sua mala caiu do meio de seus dedos e tombou no chão. O homem se assustou um pouco, pegou a mala e entregou para a garota sem nem ao menos olhar em seu rosto. Ela também não havia reparado nele. Ela pediu desculpas e continuou seu caminho.

O homem também prosseguiu em frente, mas depois de poucos segundos parou. Virou-se. Suas mãos um pouco nervosas e trêmulas. Uma pitada de esperança. Apostando nas impossíveis possibilidades.

- Meg? - ele perguntou para o espaço. Não viu ninguém. Não viu nada.

Ninguém respondeu. Então ele continuou a andar, mas agora decepcionado. Sorriu de lado. "É claro que não seria ela". Levantou seu rosto para a luz e seus olhos brancos, aquosos, como uma camada brilhante, reluziram ao sol. Suas sardinhas apareceram por cima de suas bochechas.


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11:38